Criada no reinado de D. Afonso V, a 20 de novembro de 1472, por bula do Papa Sisto IV, na Ermida de Santa Maria do Monte, Caparica era, depois de Almada, a mais antiga freguesia do concelho.

Existem vestígios de ocupação humana permanente desde a pré-história. A presença romana está confirmada por achados, datados do século II ao século V. Caparica teria então um valor semelhante a Alcochete, Montijo ou Sesimbra, era aqui um dos locais onde se fazia a ligação fluvial a Lisboa, vindo de Mérida, capital da província romana da Lusitânia.

Depois da conquista do território de Almada pelo rei de Portugal D. Afonso Henriques, em 1147, foi na Caparica que se estabeleceu o seu reguengo, território que os seus sucessores arrendaram e doaram a diversos proprietários, constituindo estes vários casais e quintas, de que ainda hoje temos vestígios.

Em 1442 os moradores da Caparica erigiram a primitiva Ermida de Santa Maria do Monte, depois transformada em igreja, em 1472, e sagrada em 1482, já no reinado de D. João II. É deste período também a Torre Velha de São Sebastião da Caparica, classificada Monumento Nacional em 2012, fortificação ampliada no reinado de D. Sebastião, que serviu de defesa da entrada da Barra do Tejo, onde cruzava fogo com a Torre Nova, mais conhecida como a Torre de Belém.

A atual Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Monte resulta de uma reconstrução feita na segunda metade do século XVIII, depois do terramoto de 1755.

O núcleo antigo do Monte de Caparica desenvolveu-se em redor da Igreja e ao longo das vias que atravessam a povoação e a ligam à Quinta da Torre e aos lugares de Fonte Santa e Porto Brandão (ou Porto do Brandão, como aparece registado no início do século XVI), uma pequena mas típica povoação ribeirinha de pescadores e catraeiros.

O Porto Brandão, que serviu de entreposto comercial e porto da Caparica, conheceu um assinalável desenvolvimento quando aqui funcionou, entre 1815 e o início do século XX, junto à Torre Velha, o Lazareto do Porto de Lisboa, espaço destinado às quarentenas de passageiros e mercadorias que vinham nos navios com origem em países tropicais, e cujo novo edifício (construído entre 1867 e 1869) foi considerado, à época, uma das mais avançadas instalações do género na Europa.

No interior da freguesia de Caparica encontramos ainda diversas povoações, como Castelo Picão, Costas do Cão, Pêra, Vila Nova ou Capuchos, localidades antigas, com marcas da ruralidade em velhas quintas e conventinhos, lugares cheios de histórias e memórias.

Da freguesia de Caparica foram desanexadas áreas que deram origem às freguesias da Trafaria (em 1926), da Charneca de Caparica e Sobreda (ambas em 1985).

 

Mais sobre a história da Caparica

- Caparica na História
- Lenda da Capa Rica

Alguma bibliografia
- VIEIRA Jr., Duarte Joaquim, Villa e Termo de Almada: Apontamentos Antigos e Modernos para a História do Concelho, Lisboa: Typographia Lucas, 1897.
- FARIA, António Machado de, «Para a História de Caparica», in Boletim da Junta de Província da Estremadura, Série II, N.º 20, 1949, pp. 93-99.
- ARCOS, Conde dos, Caparica Através dos Séculos, 2 vols., Almada, Câmara Municipal de Almada, 1972.

 

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